Como fica o divã na psicanálise online?

Para que serve o divã, por que ele não vem no primeiro dia e como a análise online recria esse lugar: vídeo, áudio e outros arranjos.

Como fica o divã na psicanálise online?

O divã virou a imagem da psicanálise. Aparece em filme, em charge, em piada  e costuma ser uma dúvida de quem pensa em fazer análise pela tela: sem ele, é a mesma coisa?

Para que serve o divã

O divã entrou na psicanálise com Freud, que o herdou do tempo em que tratava por hipnose. Ele abandonou esse método, mas manteve o móvel, e explicou por quê: não queria passar o dia sendo encarado, e sabia que o próprio rosto – um franzir de testa, um sorriso – podia desviar o curso do que o paciente dizia.

Deitado, sem ninguém à frente, quem fala se dirige ao teto, ao ar, a si mesmo. Fica mais fácil soltar o que não se diria olhando alguém nos olhos. E quem escuta pode deixar a atenção flutuar sem se sentir observado.

O divã não vem no primeiro dia

Mesmo no consultório, a análise costuma começar frente a frente. Os primeiros encontros servem para conversar sobre o que trouxe a pessoa até ali e decidir, junto com a analista, se é o momento de iniciar o trabalho. A passagem ao divã vem depois, e nem toda análise chega a ela.

E na análise online?

Na tela, o percurso é parecido. Primeiro, as sessões costumam ser por vídeo, com as duas câmeras ligadas. Quando a análise de fato começa, o rosto pode sair de cena e o online oferece arranjos que o presencial não permite:

  • Câmera desligada. A sessão segue só por áudio, e fica a voz.
  • Aparelho virado. Há quem prefira virar o celular ou o computador e falar sem a imagem à frente.
  • Só a analista fora da tela. O paciente continua aparecendo, mas não vê quem o escuta. É o arranjo que reproduz o divã.

Nenhum desses arranjos é regra ou vale mais que os outros. O formato é conversado caso a caso.

Câmera ligada ou desligada?

Numa época em que se passa boa parte do dia diante de câmeras, reuniões, chamadas, redes sociais, falar sem ser visto pode ser um alívio. Para outras pessoas, desligar a imagem custa: ela funciona como garantia de que alguém está ali.

Na análise, a maneira como cada um escolhe se mostrar ou se esconder também é significativa, às vezes, tanto quanto o que se conta.

Perguntas frequentes

Posso começar com a câmera desligada?

Em geral, o começo é por vídeo, mas isso pode ser conversado desde o primeiro contato.

Sessão só por áudio é análise?

Pode ser, nas mesmas condições de uma sessão por vídeo ou no consultório. O que faz uma análise é o trabalho com a fala e não o formato.

Com ou sem divã

O divã é um recurso, e a tela oferece outros. Com vídeo ou sem, deitado ou sentado, quem está em análise continua fazendo o que sempre fez ali: falar, e escutar o que diz.

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